O bejoqueiro

Escrito por:  Vanézia Alves


Moramos em Uberaba, MG , uma linda cidade que tem o apelido de "Cidade das 7 Colinas" porque tem muitos morros, e no "cume" de 7 colinas tem uma igreja. Por isto o apelido... Uberaba das Sete Colinas.

 

Quando estávamos com 11 anos, éramos muito loirinhas, idênticas e chamávamos atenção. Nesta época tinha um menino por volta de seus 14 anos, que toda vez que íamos à escola, encontrávamos com ele no caminho que postava na frente de nós duas e dizia que nos ia dar um beijo. O seu nome era Sabininho, e eu e minha irmã tínhamos verdadeiro pavor dele, sempre nos esperando na entrada e saida da escola. Além disso, rondava a nossa casa, ficava a nos observar de quando em quando, enquanto passeávamos pelas praças. Não que fosse feio - pelo contrário, era até bem bonitinho - mas a sensação de sermos perseguidas nos assustava. Assim, sempre dávamos um jeito de correr e escapulir do Sabininho. Mas ele não desistia.


Um dia, na saída da escola, ele apareceu sorrateiro,saindo de trás de uma árvore, e me deu um beijo no rosto, abraçou-me e não parecia disposto a me soltar; nisso, minha irmã veio correndo e lhe deu um safanão, forte bastante para que o Sabininho me soltasse. A partir daí, fizemos um trato: não íamos mais fugir dele: íamos , sim, enfrentá-lo. Num fim de semana, arquitetamos nosso plano, muito simples, por sinal: uma seguraria o Sabininho e a outra bateria nele. Dias depois, lá veio o Sabininho, nos falando: "Eu ja beijei uma! Agora, vou beijar a outra! Num gesto ágil, minha irmã segurou-lhe com força os braços por trás e eu me pus a dar-lhe uma sova. Ah!, como bati no Sabininho! Pobre do Sabininho! Não reagiu ou por estar assustado... ou por amor as duas...rssssss.


Com gêmeos não se briga, já que desrespeitar um equivale a desrespeitar o outro.

Dois beijos;
Ani e Iná.