Porém, nunca imaginei, nem passou pela minha cabeça, a possibilidade de ter dois ao mesmo tempo! Pois é, no primeiro ultrassom, o médico perguntou: "Têm gêmeos na sua família?" Disse que não sabia e ele respondeu: "Parabéns, você é a primeira, então!" Nossa, que surpresa eu fiquei! Comecei a chorar como boba, sem acreditar que fosse verdade! Saí da sala e falei: "mãe, são gêmeos", minha mãe ficou sem ação e emocionada. Fui embora e não consegui esperar o Samuel chegar do trabalho, liguei para ele e contei. Logo imaginei que ele fosse se assustar, mas que nada, ele disse: "Nossa, eu sempre orei pra Deus para que eu fosse pai de gêmeos.”
Fiz o pré-natal direitinho e, com quatro meses, soubemos que seriam duas meninas. O Samuel ficou bem feliz, apesar de estar torcendo por meninos. Com cinco meses a Eliza estava encaixada, empurrando para baixo, e tive que tomar um medicamento pra segurar a gestação. Fiquei de repouso recomendado por meu obstetra e foi indo tudo bem. Com sete meses, comecei a ficar bem inchada, mas não sentia nada. Duas semanas depois, em um domingo à noite, desci para a casa da minha mãe, como de costume, e, como ela tem aparelho de medir a pressão, eu fui imitá-la, pois ela media a pressão a toda hora. Minha pressão estava 18x12. Eu não queria acreditar, subi e tomei banho, pois achei que fosse frio, mas não estava sentindo nada mesmo. Pensei em ir ao Pronto Socorro perto de casa, mas aí veio um sentimento: “Liga pro Doutor”, mas eu estava com medo, pois eram 22h já. Minha mãe fez eu ligar pra ele, que me disse para correr para o São Luiz. Tentei convencê-lo que poderia ir ao PS e ele me disse: “Joelma, se você for para o PS eles não vão deixar você sair de lá.” Nem pensei, fui para o São Luiz Itaim. As enfermeiras me examinaram, o meu médico ligou lá e conversou com elas e só escutei uns cochichos, que tinham que arrumar um quarto pra mim. Nem imaginava que iria ficar por lá. A pressão não controlava com os remédios e estava oscilando muito, ora 17x12, ora 16x12, mas não ficou normal.
No outro dia pela manhã comecei a sentir dor de cabeça, vomitei e as enfermeiras ligaram para o médico. Ele me ligou e disse que o meu parto teria de ser no final daquele dia. Levei um susto. Me preparei, orei e pedi a Deus que me protegesse e protegesse minhas meninas. Estava tão feliz que o Samuel iria assistir ao parto e estar ao meu lado, quando o médico chegou, falou comigo e pediu para o anestesista me anestesiar. Aí perguntei sobre o Samuel e o doutor disse: “Sua pressão não está normal, se você tiver algum problema, vamos ter de socorrer você e seu marido, que vai entrar em desespero.” Nossa, foi o fim, me deu vontade de chorar e até medo de morrer, mas lembro que respirei fundo, fiz uma oração a Deus para que me desse paz e me acalmasse. Na hora foi um alívio e, quando olhei para o lado, o anestesista segurou a minha mão e disse que ficaria ao meu lado, e assim foi, tudo tranquilo.
Minhas meninas nasceram com a diferença de um minuto de uma para a outra, lindas! Eliza com 2,265 kg e Juliane com 1,725 kg. Encerrada a operação, fiquei na sala do pós-operatório e escutava os zum-zum-zuns, “ela está com muita hemorragia”, e só via as enfermeiras tirando lençóis encharcados com sangue. Mas como estava meio zonza e não entendia nada, só sei que me aplicaram uma injeção e disseram que era para cortar a hemorragia. Depois fui para o quarto e até então Samuel estava sem saber onde estavam as meninas, estava doido, ficou no vidro para ver se elas apareciam e nada. Aí ele subiu para o quarto e alguém foi informar que ele poderia ir até a UTI, que elas teriam que ficar lá, pois nasceram com pouco peso e perderam por volta de 500g. Eliza teve de ficar com um capacete de oxigênio devido a uma deficiência na respiração, mas foi só aquela noite. Pela manhã ele foi vê-las novamente e as pegou no colo, tirou fotos e levou para eu ver, fiquei tão emocionada! Eu continuava com hemorragia e o médico tentou outro medicamento para cortar, e felizmente funcionou. No outro dia fui ver as meninas e foi maravilhoso, porém triste de vê-las na incubadora, ligadas por fios e com sonda na boca para receberem o leite. Eu só podia ficar meia hora, pois elas estavam em um nível alto de UTI. Fiz ordenha, elas tomavam meu leite pela sonda, e assim foi. Fiquei quatro dias utilizando o quarto e meu obstetra veio dar alta para mim. Ele disse que eu tinha que agradecer muito a Deus por estar viva, que tive uma hemorragia perigosa e o último medicamento que mandou me dar foi a última alternativa. Se não resolvesse, eu teria que ser operada novamente e o risco de vida seria muito alto. Me falou que tive pré-eclampsia e me explicou o perigo que corri.
Felizmente deu tudo certo, mas fiquei muito triste em ter de ir para casa sem elas. Em dois dias o Samuel poderia me acompanhar, mas nos outros dias teria que pedir carona, pois de ônibus não tinha condições de ir. Também não tinha como pagar taxi e nem um hotel próximo à maternidade. Quando cheguei em casa, tinham algumas vizinhas bisbilhoteiras no meu portão doidas pra ver as meninas, segurei as lágrimas e, com um sorriso no rosto, disse:" Elas estão bem, vão ficar por alguns dias para ganhar o peso que precisam para saírem." Entrei em casa e desmoronei, chorei a noite toda, pensava nelas, olhava no berço, e foi assim a rotina. No outro dia cedinho voltamos à maternidade, fiz ordenha e soube que eu poderia ficar mais tempo com elas, estavam progredindo, estavam com icterícia também. Eliza ganhava peso com mais facilidade, mas as duas tinham dificuldade para sugar no seio. Quando completaram onze dias, recebi a notícia de que Eliza iria pra a UTI semi-intensiva e que provavelmente receberia alta no outro dia. Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo, porque Juliane iria ficar, estava com 1,800 kg e não podiam liberá-la. Meu pensamento era “como vou fazer pra me dividir em duas?” Cheguei em casa e falei com minha mãe que precisaria dela para ficar com Eliza pra eu ir amamentar Juliane, e ela me ajudou. Dia a dia, Juliane ganhava peso e, cinco dias depois, recebi a notícia que ela iria para a semi-intensiva e, se o resultado do exame de icterícia desse normal, no outro dia ela viria embora. Ansiosa que só, cheguei à maternidade e a pediatra, toda feliz, me informou que ela teria alta na manhã do dia seguinte, pois faltava o exame do ouvido para liberá-la. Chorei de emoção e fomos para casa depois de mimar muito ela e dar parabéns por ter lutado para sair logo. No outro dia, deixamos Eliza com minha sogra e fomos buscar Juliane, e enfim a trouxemos pra casa!
Daí em diante fui me adaptando à vida de supermamãe, difícil demais. As duas sempre tiveram problemas com sono. Felizmente meu marido é um superpai e sempre me ajudou de madrugada, sempre! E como já até publiquei no grupo Multipletes, foi uma luta até elas completarem dois anos e meio, para eu conseguir dormir uma noite inteira que fosse. Mas curti muito os momentos com elas bebês, tenho muitas fotos, vídeos, e confesso que consegui me sair superbem ao lidar com dois bebês com as mesmas necessidades, ao mesmo tempo. Por um tempo tive que contratar uma pessoa para me ajudar com as tarefas de casa, mas infelizmente nossas condições financeiras não são favoráveis e dispensamos. Daí em diante, cuido delas e das tarefas do lar sozinha! Sou uma mãe criançona, adoro brincar e adoro brinquedos, faço cabanas com lençóis pela casa e hoje em dia elas adoram arrumar meus cabelos, me maquiam, fazem até massagem em mim. Elas ficam radiantes quando me ofereço para ser modelo delas ou para brincar de casinha, mercado etc. Adoro! Não tem preço ver a carinha delas de felicidade quando estou sendo o brinquedo delas. Enfim, daqui a alguns anos elas não serão mais crianças e tenho que aproveitar essa fase, que é fenomenal, fase de descobertas e muito engraçada. Adoro as pérolas dessas garotas, tem cada uma... Mas elas também me tiram do sério, brigam muito, disputam muito quem é a primeira a chegar em algum lugar e outras coisas também. Às vezes tenho vontade de sair correndo, faz três anos que não saio sozinha com meu marido. É difícil, pois ninguém pode ficar com elas, mas nos entendemos muito bem e somos muito amigos, o que fortalece nossa união. Elas são as únicas netas e sobrinhas, tanto do lado do Samuel como do meu lado familiar, imagine como são mimadas!
Este é um resumão desde quando decidimos engravidar até os dias de hoje! Vou colocar no meu diário, pois nunca escrevi antes e sempre quis deixar para quando as minhas meninas forem grandes.
Joelma



