Causas de infertilidade feminina

Escrito por:  Vanézia Alves
Qualifique este item
(2 votos)

Causas da Infertilidade Conjugal

Os dois grandes grupos das causas de infertilidade de um casal são: Causas Femininas e Masculinas. Sabemos hoje que cerca de 30% das causas são femininas, 30% são masculinas e 25% as causas são conjuntas, portanto, tanto do homem como da mulher.

Em 15% dos casais, após utilizarmos todos os exames disponíveis para chegarmos a um diagnóstico da infertilidade, continuamos sem saber a real causa da infertilidade do casal e, portanto, são classificados como tendo Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA).

Na mulher, as causas da infertilidade podem estar relacionadas aos seguintes fatores:

  • Fator Cervical;
  • Fator Uterino
  • Fator Tuboperitoneal
  • Fator Ovariano.


Fator Cervical:

O canal cervical secreta, no período peri-ovulatório, uma secreção translúcida muito semelhante a uma clara de ovo, chamada muco cervical. O muco cervical é o responsável pelo transporte e armazenamento dos espermatozóides no trato reprodutor feminino. Uma vez os espermatozóides em contato com o muco cervical passam por uma fase de maturação, ou seja, tornam-se maduros para poderem fertilizar o óvulo. O canal cervical, serve, também, de armazenamento dos espermatozóides, que são liberados conforme a maturação espermática for ocorrendo.

Para avaliarmos o fator cervical fazemos um exame chamado Teste Pós-Coito (TPC), que consiste em colher o muco cervical e secreção vaginal, com quatro a doze horas após uma relação sexual, e avaliar a presença e atividade espermática (quantidade e mobilidade dos espermatozóides). É bom lembrar que o TPC só pode ser realizado na presença do muco cervical, portanto, no período pré-ovulatório.

Nos exames que não encontramos espermatozóides ou somente encontramos espermatozóides imóveis, podemos estar em frente a um fator imunológico, porém este diagnóstico somente poderá ser confirmado com exames específicos e após uma análise seminal detalhada (espermograma).


Fator Uterino:

O útero desempenha um papel essencial no processo reprodutivo, pois é ele que transporta os espermatozóides e é nele que ocorre a implantação (quando o embrião se fixa ao útero) e dá-se então o desenvolvimento do feto.

As alterações uterinas podem se dar no útero, propriamente dito, como no endométrio. No útero poderemos ter as malformações (alterações no seu desenvolvimento embrionário), os tumores (os miomas são os mais freqüentes) e as aderências ou sinéquias, que alteram a forma da cavidade uterina. No endométrio poderemos encontrar alterações infecciosas (causadas por agentes como a clamydia, mycoplasma, gonococo, etc.) e os pólipos, cuja presença pode obstruir ou impedir a correta implantação do embrião.
Os seguintes exames são utilizados para o diagnóstico do fator uterino: Ultra-sonografia trans-vaginal, Histerossalpingografia e Histeroscopia.

Fator Tuboperitoneal:

Basicamente, procuramos avaliar a forma e função das tubas uterinas, que são as responsáveis pela captação do óvulo, transporte dos espermatozóides, união dos gametas, assim como o transporte de um óvulo fertilizado (pré-embrião) para o interior da cavidade do útero. Procuramos identificar as obstruções das tubas e lesões que possam comprometer a sua mobilização e, portanto, a captação do óvulo pela mesma.

As causas mais freqüentes de lesões das tubas são os processos inflamatórios (salpingite), decorrentes de infecções por agentes como a Clamydia, Mycoplasma, Gonococos e outros.

Dentre as causas não infecciosas a mais freqüente é a lesão causada pela endometriose (presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina), menos freqüentes são as lesões causadas por cirurgias, as quais incluímos aquelas pacientes que foram submetidas à laqueadura tubária.

Fator Ovariano:

O fator ovariano é avaliado basicamente por dosagens hormonais realizadas durante o ciclo menstrual. No 3º dia do ciclo, contanto como sendo o 1º dia o dia do início do fluxo menstrual, dosamos três hormônios: FSH, LH e Estradiol. Estes hormônios são extremamente importantes para avaliarmos, indiretamente, a reserva dos ovários. Por volta do 20º dia do ciclo dosamos os hormônios Prolactina e Progesterona, sendo o último repetido, aproximadamente, três dias depois. A Progesterona é um importante hormônio, pois a sua presença, em níveis normais, representa a ocorrência da ovulação.

Devemos, ainda, realizar uma Ultra-sonografia transvaginal em torno do 12º dia do ciclo, pois nesta fase poderemos avaliar a presença de um folículo dominante, como também analisarmos o padrão do endométrio, com suas características peculiares desta fase do ciclo.

Para as mulheres que não menstruam regularmente, dosamos FSH, LH, Estradiol e Prolactina no 3º dia do ciclo, pois geralmente estamos à frente de uma paciente anovulatória (não ocorre a ovulação).

A OMS (Organização Mundial da Saúde) classifica as pacientes anovulatórias em grupos:

Grupo I: As pacientes apresentam uma disfunção do eixo hipotálamo-hipófise, em que estas glândulas produzem pouca quantidade de gonadotrofinas (FSH e LH), não estimulando, portanto, os ovários.

Grupo II: As pacientes apresentam uma liberação irregular das gonadotrofinas (FSH e LH), porém, os níveis estão dentro da normalidade mas, geralmente, ocorre uma alteração da relação entre as quantidades do LH e do FSH (LH maior que o FSH). Dentro deste grupo encontram-se as pacientes com Síndrome dos Ovários Micro-Policísticos. Esta síndrome é caracterizada por apresentarem ovários aumentados, contendo na periferia de seu interior pequenos folículos, medindo entre 8 e 10 mm de diâmetro, manifestações clínicas por aumento dos hormônios masculinos (androgênios), como, aumento de pêlos e acne.

Grupo III: Observa-se um aumento da liberação das gonadotrofinas (FSH e LH) e uma diminuição acentuada do hormônio Estradiol. Tal quadro hormonal representa uma provável falência dos ovários, fato mais comum nas pacientes acima de 45 anos podendo, no entanto, ocorrer mais precocemente.

Fonte: Fertivitro