Adoro ser pai. Adoro mesmo! Depois do futebol, claro! Tô brincando, não jogo futebol há anos, mas jogava quase todos os dias, eu acho. Assim como deixei de comprar livros, eu tinha uma biblioteca de uns bons mil e quinhentos livros. E os objetos antigos, os calhambeques em miniatura, tudo isso ficou pra trás, ficou em segundo plano. Claro que a vida da gente muda, digamos, um pouco, depois que a gente vira pai, ainda mais de três pequenos. Mas isso não tem muita importância.
Outras coisas acabam chegando junto com as crianças pra fazer parte da vida pra sempre, ou senão, por um bom tempo. Quer ver? Fotografia, por exemplo. Eu sempre gostei, sempre fotografei, estudei fotografia, dei até aulas de fotografia, mas posso dizer que ela começou a fazer parte de minha vida, de verdade, depois que me tornei pai. Parei de contar, mas acho que tenho nos meus arquivos mais de 15 mil fotos das crianças. Não vivo sem minha máquina. E ainda resgatei todos os negativos e slides antigos da família que estão sendo digitalizados, lentamente, quando dá tempo.
Que ver outra coisa? Cozinhar. Eu sempre cozinhei aqui e ali. Depois que casei com a Bia, ops, esqueci de apresentar a Bia, minha “queridamadamulhermaecompanheirabia”, mãe dos tri como falamos por aqui. Então, logo que casamos a Bia começou a chegar em casa com umas caixas de papelão, com comidas de esquisitas dentro e eu falei: “Bia, eu não como papelão, digo, coisa esquisita, eu como comida!” Aí eu resolvi aprender a cozinhar pra valer e comecei a me arriscar no fogão. Devo muito aos programas desses chefs que passam na TV, aprendi muito com eles. Hoje sou o cozinheiro oficial aqui em casa, não consigo ficar sem cozinhar e aquelas caixas de papelão com coisas esquisitas dentro nunca mais entraram aqui em casa.
E fora todas essas mudanças que contei aí acima, ainda acontecem outras mais profundas, essas as que nos transformam realmente. Como pai, a perspectiva, o olhar sobre o mundo e suas coisas muda. Como pai de trigêmeos, a mudança é radical. Ganhei preocupações que não tinha, aprendi coisas que não sabia, enxerguei coisa que não via. E, claro, ganhei cabelos brancos, muitos cabelos brancos. Ultimamente ando preocupado com o planeta, com o que podemos fazer pra preservar o pouco do que ainda sobra dos recursos naturais que destruímos ao longo desses anos de desenvolvimento industrial desenfreado. Estou preocupado com o que vai restar pros meus trigêmeos e pra toda a geração deles e pras outras que virão.
Opa! Acho que já escrevi demais e nem me apresentei direito. Sou o Octavio, casado com a Bia, pai dos trigêmeos Diogo (o intelectual), Laura (a pimentinha) e Mario (o responsável). Eu sempre quis ser pai, desde jovem. Sempre achei criança um barato, sempre gostei de brincar com crianças. E quando finalmente casei, (pois é, foi difícil achar a Bia!), estava mais do que ansioso pra ter filhos. E o resultado foi melhor que a encomenda, três de uma vez! Espero ver vocês sempre por aqui pra poder continuar esse papo. E cá entre nós, adoro ser pai!





