Náo se assuste na hora de falar sobre sexualidade!

Escrito por:  Daniela Serres
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“Mamãe, tô sentindo uma coisa estranha na minha periquita…”

Ouvi essa frase da minha filha de 5 anos, em alto e bom som, em plena sala de espera lotada de um aeroporto. Meu marido arregalou os olhos como se estivesse vendo um fantasma ou um ser extra-terrestre. Eu não sabia o que dizer. Abaixei-me para conversar com ela e perguntei o que ela estava sentindo. Ela me explicou que era uma coisa boa, estranha, e que sentia algumas vezes, principalmente quando via casais se beijando na tv ou ao vivo.

Eu e meu marido fomos correndo pra uma psicóloga, morrendo de medo que nossa pequena estivesse com algum distúrbio de sexualidade, ou com o desenvolvimento sexual precoce. A psicóloga primeiramente nos perguntou sobre várias coisas da nossa vida - acho que pra se certificar que a gente não era um casal ninfomaníaco ou algo do gênero, que pudesse estar estimulando nossa filha a ter pensamentos eróticos fora da idade... E depois nos tranquilizou bastante, dizendo que a sexualidade infantil poderia se manifestar de diversas formas, e que deveríamos encarar com a maior naturalidade possível.

A única coisa que não deveríamos fazer era estimular isso, fazendo com que ela pensasse que era mais crescida do que é. Maquiagens, bolsas e sapatos de salto, só como brincadeira e dentro de casa. Sair a noite é só para o papai e a mamãe, que são adultos e podem fazer coisas que ela ainda não pode. E por aí vai. Umas duas ou três sessões de terapia depois, entendi que a afirmação da minha filha era perfeitamente normal, e só do que ela precisava era do nosso apoio para entender que o que ela estava sentindo fazia parte do crescimento dela. Mas que ela ainda era uma criança e que, quando crescesse, iria entender melhor o que estava acontecendo com ela.

De acordo com o psicanalista Wilhelm Reich (1897-1957), o corpo registra todos os acontecimentos vividos durante a vida, principalmente os ocorridos na primeira infância. Por isso, as manifestações sexuais infantis devem sempre ser encaradas pelos pais com a maior naturalidade possível, e nunca com surpresa ou sobressaltos, para que nossos filhos tenham um desenvolvimento psicológico e sexual saudável e, principalmente, prazeroso.