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Em 2006 muito se falou sobre uma mulher britânica que deu à luz gêmeos bicolores: um negro e um loiro. O nascimento rendeu notícias no mundo inteiro, com a informação de que o fenômeno só acontece uma vez em cada um milhão de partos.
Como gêmeos são a especialidade do Portal Múltiplos, saímos à procura de casos aqui no país. Afinal, poucos países têm uma miscigenação de raças tão grande como o Brasil, que misturou os indígenas nativos com os portugueses colonizadores, seguidos pelos negros africanos, italianos, japoneses, coreanos, espanhóis e toda uma nação de imigrantes que veio para cá em busca de uma oportunidade. Esse caldeirão faz da nossa terra o berço ideal para casos como o dos gêmeos britânicos.
E assim chegamos a Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, onde mora Luciene Aparecida Firmo. Filha de pai negro e mãe branca, ela é negra de irmãos brancos. Para completar a receita, casou-se com Arildo Girro Bonandi, de origem italiana.
Dessa mistura nasceram Luisa e Lucas, de 3 anos e meio. Ela, bem morena. Ele, bem branquinho. E o tamanho, então? Ela é 12 centímetros mais alta que ele. “Durante a gravidez, eu brincava dizendo que seriam duas negrinhas com o cabelo bom como a Camila Pitanga, enquanto o pai dizia que seriam dois galeguinhos. Deus atendeu a todos”, conta Luciene, animada.
Luisa já nasceu maior, com 49 centímetros – três a mais que Lucas. Em compensação, ele era mais gordinho: nasceu com 2,570 quilos, 170 gramas a mais que a irmã. Os dois vieram ao mundo praticamente da mesma cor, clarinhos. Mas a mãe conta que ela tinha manchinhas nas costas e no bumbum: “o pediatra disse que eram manchas da mistura de raças. Logo percebi que ela iria ‘morenar’”. Com dois meses, a diferença de cor já era grande. Com três meses, maior ainda! “As pessoas começaram a cogitar até a troca no hospital. Mas isso é impossível, porque meu marido e minha mãe acompanharam todo o parto e eles foram direto para o quarto comigo”. Impossível mesmo: mesmo com tanta diferença, as feições de seus rostos são praticamente iguais.
Tanta diferença gera curiosidade. “As pessoas me perguntam a diferença de idade e, quando eu falo que é de um minuto, vem o susto. Eu me divirto!”, revela Luciene. “O André, filho do primeiro casamento do meu marido, é branquinho como o Lucas. Ele leva a foto dos dois para a escola, todo orgulhoso, e volta furioso porque ninguém acredita que a Luisa é irmã dele – menos ainda que é gêmea do Lucas. Aí, quando ele está perto dos amigos da escola, me chama de mãe só para assustá-los”. E completa: “O colorido da minha família virou uma grande farra!”. Por Maria Fernanda Atanes |