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Contos que são gotas de amor Imprimir E-mail

Imagem IlustrativaEra uma vez, no reino do faz de conta, um universo chamado contos de fadas. Ele tem o poder de encantar, hipnotizar e transportar os que contam e ouvem para o reino mágico da fantasia onde tudo pode acontecer. Príncipes, fadas, duendes, princesas, florestas enormes, casinhas minúsculas, bruxas, monstros, sapos falantes vivem por lá.

Essa magia faz com que sejamos levados pelo espetáculo das imagens que vão surgindo. Essa é a primeira experiência e a mais antiga do encontro do homem com a fantasia criativa de sua cultura.

Em um tempo muito distante, nasceram os conteúdos dos contos de fadas. Eles nasceram junto com os homens, suas experiências, crendices, rituais, deuses e demônios. Sua origem é pesquisada por muitos estudiosos do folclore e da etnografia. Alguns acreditam que venham de mitos, ou seja, que estes são mitos desintegrados. Eles são encontrados em diversas culturas com algumas diferenças. Os primeiros registros são de antes de Cristo e permanecem por milênios protegidos pela tradição oral. O universo dos contos de fadas contribui desde sempre para a educação e formação dos povos.

 

Segundo Jung, quando crianças, vivemos em um mundo mágico e mitológico. Além dos instintos e impulsos, somos arrebatados pela imaginação. Essa imaginação é que dá as crianças aquele brilho nos olhos, um tom rosado nas bochechas e os sorrisos espontâneos e inesperados. Neste momento, eles fazem qualquer pedrinha virar um diamante encantado, a imaginação está solta para brincar com os contos pelos jardins.

 

Quando crescemos sentimos que somos maiores que a cinderela, o Robim Hood e não mais queremos brincar com eles pelos jardins. É natural que os contos sejam guardados, ou o que sobrou deles, em algum quarto, no quarto dos sonhos, da arte e por lá permanecem até que despertem novamente. Por algum motivo, na maternidade resolvemos abrir novamente nossos quartos dos contos e eles estão lá, prontos para serem resgatados, recontados e fazer parte de nossas vidas mais uma vez.

 

Muitos autores e especialistas já temeram a efetividade dos contos para as crianças, por considerarem que afastassem a realidade dos pequenos. Freud, com a psicanálise e sua teoria sobre a sexualidade infantil, nos mostrou que não há nada de aterrorizante ou alienante nos contos. Eles contribuem para a formação da personalidade, tocam profundamente em sentimentos como a ambivalência que é comum nas crianças.

 

Os contos trabalham como ativadores da camada de imagens emocionais e cheias de fantasias. Essa camada é considerada a base do amadurecimento e transformação da psique do adulto. Eles têm a função de auxiliar na busca da identidade, na afirmação de sua comunicação, clareando para ela que o lado bom da vida possa ser desfrutado, desde que, se engaje e siga em frente em seu destino.

 

As imagens simbólicas oferecem a possibilidade para que a criança saia vitoriosa do conto e a linguagem mitológica toque diretamente o inconsciente, ajudando-a colocar ordem em seu mundo interno. Eles também enriquecem as brincadeiras infantis e dão forma aos desejos. Assim que se ouve um conto ocorre ou não a identificação. Se ele for condizente com a situação interna, a identificação é imediata e dá forma para enfrentar as dificuldades.

 

Quando a criança personifica a bruxa do conto, ela aceita que dentro dela há conteúdos que não são tão agradáveis. A madrasta malvada personifica a parte da mãe que ela pode ter dificuldade de aceitar e isto é comum. As consequências de se deixar levar por um lado sombrio da raiva, impaciência, imprudência e de não serem capazes de esperar as coisas acontecerem naturalmente. Além de a criança colocar gradativamente ordem em seu mundo interno, seus sentimentos complexos, ambivalentes vão se tornando mais claros e no inconsciente suas questões são elaboradas.

 

Nós, que somos mãe e pais, habitamos também um dia este mundo mágico e mitológico, que contribuiu de forma silenciosa para a construção do que somos hoje. Temos com os filhos a oportunidade de abrir os quartos e soltar a nossa imaginação com eles. Recontar também é uma forma de colocar em ordem os nossos sentimentos. É um momento que esquecemos tudo e nos entregamos à fantasia, a imaginação e ao amor imenso que temos pelos nossos filhos.

 

Podemos pensar que esta habilidade desapareceu de nós. Será? Vale experimentar. Coloque essas gotas de amor na relação com os filhos e espere os frutos em vocês.

  

Referências bibliográficas:

 

ESTES,CP  Contos dos Irmãos Grimm,Ed 3ª , SP, Editora  Rocco,2005“

JUNG,CG  O Homem e seus símbolos , Ed 10 ª , Editora Nova Frinteira , SP 1987

KNOLL, L MP  O Universo Psicológico dos contos de Fadas, Artigo científico – Unifenas 1992

VON F ML, A Interpretação nos  contos de Fadas,Ed3ª Editora Paulus SP, 1990

 

Por: Leila KnollMãe de Ana Clara , Arthur e Maria Giulia  ( 2 a e 8 ms )

 

 
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