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Sep 09th
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Repouso na gravidez Imprimir E-mail

Toda gravidez de múltiplos traz diversas dúvidas ao casal e, principalmente, a futura mãe. Estas se tornam ainda mais sérias nos chamados grandes múltiplos, ou nas gestações de 3 ou mais fetos. Será que conseguiremos? Com quanto tempo eles vão nascer? Quais as conseqüências deste parto prematuro para a saúde deles? Enfim “n” considerações surgem.

Toda gravidez de múltiplos traz diversas dúvidas ao casal e, principalmente, a futura mãe. Estas se tornam ainda mais sérias nos chamados grandes múltiplos, ou nas gestações de 3 ou mais fetos. Será que conseguiremos? Com quanto tempo eles vão nascer? Quais as conseqüências deste parto prematuro para a saúde deles? Enfim “n” considerações surgem.

De maneira geral sabemos que cada feto a mais no útero corresponde a 01 mês a menos de gravidez, onde os gêmeos devem nascer ao redor de 36 semanas ou perto de 2,5 kg, os trigêmeos com 32 semanas ou quase nos 2,0 kg, mas os quádruplos deveriam nascer com 28 semanas, ou um pouco acima de 1,0 kg, quando sabidamente a prematuridade extrema se correlaciona às dificuldades de transporte de oxigênio para áreas nobres, como o tecido cerebral. E olhem que estes dados são médias, onde seguramente alguns casais tem histórias de sucessos maiores, mas outros, ao contrário, não.

O que fazer??? Sabemos que o útero é uma estrutura muscular, distensível até um limite, porém com uma única região de abertura para saída da maior parte de suas secreções ou do feto, que é o colo do útero ou a cérvice uterina, responsável pela contenção da gravidez ao longo dos meses. Esta região por sua vez não se distende, formada por um tecido conjuntivo que tem a obrigação de se manter impenetrável o maior tempo possível. Em situações normais, apenas quando forçado pelas contrações, o colo do útero se abre.

Nos últimos anos, diversos pesquisadores tem salientado sobre a importância de se evitar a carga excessiva sobre a cérvice uterina, ou seja, quanto menor o esforço a esta região, maior a expectativa de levarmos a gravidez adiante. De acordo com estes especialistas, seria possível com o repouso relativo na posição dorsal (deitada), ganhar até 15 dias de gestação em comparação a mulheres que não se submeteram a qualquer restrição física, o que seguramente é de enorme valia. Além disso, outros benefícios existiriam como a melhora da irrigação placentária, redução dos níveis da pressão arterial e melhor aproveitamento energético para os bebes, pois devemos lembrar que tanto o crescimento restrito (fetos pequenos), como a hipertensão da gestação e a prematuridade, são problemas que ocorrem com maior freqüência durante as gestações gemelares, principalmente em gestações com triplos ou mais. Assim, o repouso e até a hospitalização podem sim, ser grandes aliados.

O que é este repouso? Indicamos no início da gestação ter uma vida “tranqüila”, sem realizar esportes de impacto, trabalhos árduos ou ficar em pé por muito tempo. Isto parece ser interessante para todas as gestantes, e ainda mais para aquelas que trazem mais de um feto. Porém a partir da 20a semana de gravidez, achamos prudente aumentar estes cuidados e, efetivamente, se manter o máximo possível deitada.

Mas lembre-se, devemos sempre ter em mente o bom senso, evitando os excessos, pois mesmo no repouso absoluto existe a necessidade de se manter uma mínima atividade. Ás vezes, o apoio de um profissional fisioterapeuta pode nos ajudar, a manter um mínimo de atividade em nossos músculos.

Como toda medicina, cada grávida deve ser vista como única, avaliando as peculiaridades de cada e decidindo o tratamento que traga maiores benefícios (ao feto e a gestante), porém sem sacrificar a qualidade de vida da mulher, que deve aproveitar e disfrutar deste momento tão especial, que é a gestação. O repouso “relativo” deve ser orientado, mas sempre tendo em mente a influência deste no cotidiano da gestante.


Dr. Eduardo Leme Alves da Motta
Professor Adjunto da Disciplina de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo, e Chefe do Setor de Ginecologia Endócrina, Eduardo fez seu Fellowship na Huntington Reproductive Center, na California-EUA. Participa ativamente de Congressos e encontros em Reprodução Humana, além dos diversos prêmios e trabalhos publicados.
 
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